quinta-feira, 18 de julho de 2013

A ciência da Produção de Alimentos


A produção de alimentos na forma de agricultura, iniciou no tempo em que o homem deixou de ser nômade, e passou a habitar uma mesma área por longos períodos. Na verdade não foram os homens que inciaram o cultivo dos alimentos, mas sim as mulheres. Elas eram as responsáveis por cuidar das crianças e preparar os alimentos, que incluía a coleta  e o cultivo dos vegetais. Os homens se preocupavam com a caça e a defesa do grupo do ataque de animais e de outros grupos.

No incio a agricultura tinha um enfoque de subsistência, se plantava o necessário para si e sua comunidade. Com o tempo foi sendo realizado o escambo com as sobras, e a sociedade foi sendo construída. No período feudal as relações comerciais foram se fortalecendo e a agricultura foi crescendo de volume, produzindo-se uma quantidade maior de alimentos para abastecer o comércio.

Durante este período era utilizado para o combate das pragas o sal, o extrato de crisântemos, a água de fumo, e o enxofre. O agricultor observava o meio ambiente e tentava reproduzir em pequena escala suas interações, evitado-se a modificação forte no cenário em que produzia.

Com o inicio da Primeira Guerra Mundial e o fortalecimento da indústria bélica e química, iniciou-se a produção dos primeiros compostos sintéticos. 

Os primeiros estragos desta época foram cruelmente sentidos pelos países oprimidos e opressores. Os nazistas utilizavam em suas câmaras de gás o produto Zyklon B, que no pós guerra foi introduzido na agricultura como inseticida.

Durante a guerra do Vietnã muitos litros do agente laranja, um produto originário da mistura de dois agrotóxicos o 2,4 D com o 2,4,5 T, foram despejados pelos aviões sobre as florestas daquele país com o objetivo de causar a desfolha das árvores para facilitar a identificação dos inimigos. Este produto altamente tóxico para o ser humano, foi despejado sobre a população vietnamita e sobre os soldados do próprio exército americano. Somente estes foram ressarcidos financeiramente pelas sequelas que apresentaram no pós guerra, enquanto que aquela população foi destruída por aquele veneno e sente os efeitos até hoje.

Em 1943 inicia a Revolução Verde, movimento criado pela indústria química visando a comercialização de seus produtos excedentes do pós guerra, utilizando-se a desculpa da necessidade da ampliação da agricultura para o abastecimento da população mundial. Este novo modelo de agricultura fortemente embasado na utilização dos adubos químicos e dos agrotóxicos, era visto como o ápice da tecnologia agrícola e foi fortemente apoiado pelas empresas de extensão rural que entregavam aos agricultores estes pacotes produtivos completos.

Com este novo panorama a agricultura ampliou suas fronteiras agrícolas, e iniciou a produção em larga escala, e as monoculturas tomaram os campos. 

A monocultura é o plantio de uma única espécie em uma grande área, utilizando para isto uma grande quantidade de insumos, tais como adubos químicos e agrotóxicos, pois a monocultura altera fortemente a paisagem e cria uma condição artificial de produção. 

Neste modelo de agricultura você cria desertos biológicos, pois ocorre a redução da biodiversidade que é a garantia de equilíbrio de um ecossistema. 

Desta forma surgem as pragas, pois a população de insetos favorecida pela ausência de seus predadores naturais se sobrepõe dentro do sistema e incia-se os desequilíbrios que hoje encontramos nos sistemas agrícolas das principais culturas que são produzidos no modelo de monocultura, que são a soja, o milho, a cana-de-açúcar e o algodão.

Com esta metodologia nova de plantio o agricultor virou as costas para a natureza, e perdeu seu elo de ligação com o meio ambiente. Podemos afirmar que a partir da adoção desta nova modelagem de produção o homem entrou em guerra com a natureza, dominando-a e a sub julgando.

Infelizmente este novo modelo produtivista é o que perdura até os dias de hoje, e vemos aumentar o arsenal utilizados pelos agricultores e incentivado pela indústria. O home do campo abandonou seu conhecimento ancestral e se enredou neste universo ingrato e cruel, onde muitos tornaram-se escravos do sistema e não sabem como retornar ao modo de produção natural.

Dentro deste cenário está inserida a ciência da agronomia, que procura analisar o sistema como um todo, avaliando sua intrincada teia de relacionamentos. 

Por se tratar de um universo de extrema complexidade temos diversas correntes de pesquisa e ação dentro desta ciência, representando aos mais diversos interesses.

Nesta briga de gato e rato temos a agroecologia que apregoa o retorno da comunhão do homem com a natureza. No entanto, poucas são as escolas de agronomia que trabalham nesta linha de pensamento, infelizmente.

O que temos presenciado hoje no campo é um verdadeiro exército de engenheiros agrônomos que só conhecem uma ferramenta de ação frente aos problemas das pragas. Isto é  muito grave pois todo o conhecimento adquirido foi abandonado, optando-se pela "facilidade" falsa que este modelo produtivista impõe.

O que tenho para propor é o resgate do conhecimento da natureza, aplicado no MANEJO INTEGRADO de PRAGAS (MIP), que envolve o conhecimento semiótico.

O MIP compreende inicialmente uma diagnose bem feita através dos processos de amostragem, identificação da praga, níveis de ação e a mortalidade natural no agroecossistema - Este é o alicerce para a realização do MIP e a tomada de decisão DAS ferramentas que serão utilizadas para combater os problemas e garantir a produtividade no campo.

Neste blog muitos me vêem escrever sobre os agrotóxicos e todas as externalidades que os envolve, mas quero deixar claro que tenho pleno conhecimento de que a produção em larga escala de alimentos sem eles é inviável, mas estes se tratam de uma FERRAMENTA que deve ser bem utilizada, e usada com parcimônia, avaliando-se os riscos de seu uso, e utilizada em interação as tantas outras ferramentas que temos a disposição no sistema agrícola, como:  variedades resistentes, o controle biológico,  os feromônios, a transgenia e os diversos métodos culturais.

Os agricultores precisam é fazer as pazes com a natureza e entender que agindo em conjunto a ela muitos de seus problemas serão minimizados e até mesmo sanados.






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